Turismóloga da AMAVI declara que o Conservadorismo prejudica o Turismo no Alto Vale

Quando quem vive do turismo passa a atacar os valores que sustentam a própria região, algo não fecha. Um artigo que questiona incoerências, exclusões e escolhas ideológicas dentro da AMAVI — e levanta a pergunta que muitos evitam fazer: o problema é o conservadorismo do Alto Vale ou quem insiste em ignorá-lo?
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Quando o conservadorismo vira bode expiatório do turismo

O Alto Vale do Itajaí é, reconhecidamente, uma região de tradição. Tradição familiar, cultural, religiosa e produtiva. Não se trata de retórica: basta observar o perfil do turismo regional, ancorado no turismo rural, na imigração europeia, nas festas típicas, na preservação arquitetônica e no modo de vida comunitário. É justamente esse conjunto de valores — frequentemente rotulado como “conservador” — que transformou o Alto Vale em um polo turístico autêntico.

Diante disso, soa no mínimo paradoxal que uma turismóloga contratada pela AMAVI, instituição que representa os municípios do Alto Vale, utilize um podcast público para afirmar que “o conservadorismo atrapalha o turismo na região”. Mais curioso ainda quando se lembra que é nesta mesma região, majoritariamente conservadora, que ela trabalha, reside e retira seu sustento.

Afinal, se o conservadorismo é o problema, como explicar que ele seja também o principal ativo turístico local?

O discurso ganha contornos ainda mais contraditórios quando se observa que o seu principal projeto envolve turismo em propriedades rurais — propriedades mantidas, em sua ampla maioria, por famílias ligadas ao agronegócio e a valores conservadores. Criticar ideologicamente o conservadorismo enquanto se estrutura projetos que dependem diretamente dele parece um clássico caso de cuspir no prato que se usa para comer — ainda que o prato seja de porcelana colonial e faça parte do atrativo turístico.

Outro ponto que merece questionamento público é a ausência de Rio do Sul no projeto apresentado. Estranhamente, a capital do Alto Vale — não aparece contemplada. Fica a dúvida: não existe nenhum empreendimento turístico digno de nota em Rio do Sul ou a exclusão é deliberada? Teria a principal cidade da região se tornado invisível aos olhos de quem deveria planejar o desenvolvimento turístico regional?

No campo cultural, a situação não é menos curiosa. Foi criada uma vaga específica na AMAVI para cuidar da área da Cultura, e para ocupá-la foi contratado um profissional de fora do estado, que não nasceu em Santa Catarina, não possui vínculo histórico com o Alto Vale e se posiciona publicamente contra o conservadorismo — base cultural da região que deveria representar.

Mais do que isso, suas preferências estéticas e musicais — declaradamente distantes do gosto popular riossulense — levantam uma questão fundamental: quem define o que é cultura regional? O povo que a vive há gerações ou técnicos que a observam de fora, com filtros ideológicos e playlists alternativas?

Não se trata de censurar gostos pessoais, mas de compreender que política cultural não é palco para experimentações identitárias desconectadas da realidade local. Cultura é pertencimento. É memória. É continuidade. Importá-la pronta, como se fosse um produto genérico, costuma resultar em rejeição — não em valorização.

É importante frisar: ninguém é obrigado a ser conservador. Mas quem ocupa cargos técnicos em instituições regionais precisa, no mínimo, respeitar os valores predominantes do território onde atua. Quando o discurso público passa a hostilizar esses valores, o problema deixa de ser ideológico e passa a ser institucional.

O turismo do Alto Vale não precisa ser “desconstruído” para avançar. Precisa, sim, ser compreendido em sua essência. O conservadorismo cultural da região não é um entrave — é o diferencial competitivo que muitos outros lugares tentam artificialmente imitar.

Talvez o verdadeiro obstáculo ao turismo não seja o conservadorismo, mas a insistência em combatê-lo justamente por quem deveria fortalecê-lo.

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