Transformações culturais, símbolos e ação política: o símbolo sagrado de uma cultura

A compreensão das mudanças sociais profundas exige deslocar o foco exclusivo das instituições formais — leis, decretos e políticas públicas — para o plano simbólico e cultural. Processos históricos de grande envergadura raramente se iniciam por reformas normativas; em geral, são precedidos por alterações no imaginário coletivo, na hierarquia de valores e naquilo que determinada sociedade reconhece como sagrado, legítimo ou digno de reverência. Nesse sentido, a disputa por símbolos, narrativas e representações constitui etapa preliminar de transformações políticas duradouras.

Quando o Estado entra pela porta da frente e não sai mais

Não é de hoje que a saúde pública brasileira agoniza na UTI. A precarização dos serviços, a escassez de recursos e a ineficiência na gestão compõem um cenário crônico de abandono. Apesar de esforços pontuais em nível regional e federal, as políticas públicas parecem incapazes de curar o mal que elas mesmas ajudaram a cultivar. O que deveria ser um compromisso com o pagador de imposto, transformou-se, há tempos, em um campo de disputas ideológicas e eleitoreiras. A saúde, que deveria ser objeto de responsabilidade solidária das famílias, das comunidades e de instituições livres, foi sequestrada pela promessa estatal de ser um ‘direito garantido’ – promessa essa que jamais conseguiu cumprir, converteu-se em moeda de troca: promessas de melhorias em troca de votos, favores escusos travestidos de políticas públicas.